Jornal Diário Popular , segunda-feira 27 de setembro de 1999
Muita gente ficou animada com as novas promessas feitas pelo presidente da República, de criar empregos e garantir um "forte crescimento" para a economia, talvez de até 4% para o próximo ano. Há possibilidade de atingir essas metas realmente? Resposta: se o governo não mudar radicalmente sua política econômica, a resposta é um "não" total. E, infelizmente, nada indica que o presidente esteja seguindo nessa direção, tanto que seu otimismo se baseia mais uma vez, em expectativas "fajutas". Para ele, o crescimento econômico no ano 2000 seria "puxado" basicamente pelos investimentos gigantescos que deverão ser feitos na busca e exploração de petróleo, tanto pela Petrobras como pelas multinacionais que "ganharam" áreas petrolíferas nos recentes leilões.
Esses projetos, na casa dos R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões a serem investidos por ano, poderiam, efetivamente, representar encomendas maciças para a indústria nacional de equipamentos e seus fornecedores de peças, componentes, matérias-primas, bem como contratos para firmas brasileiras de engenharia, consultoria, serviços diversos. Se tudo isso acontecesse, o setor petrolífero poderia injetar algum vapor na economia, com efeitos benéficos se estendendo para outros setores, garantindo uma melhora na oferta de empregos e algum crescimento econômico.
Na prática, porém, a história é totalmente diferente. O presidente parece não saber, ou finge não saber, que nos próprios contratos combinados nos leilões as multinacionais já se recusaram a comprar equipamentos nacionais, isto é, assumiram o compromisso de encomendar apenas 5% a 15% do total aqui dentro. Vão importar de 85% a 95% dos equipamentos, além de, obviamente, utilizar empresas da consultoria e engenharia de seus países. Vale dizer: o governo repete as mesmas monstruosidades lesa-Brasil que adotou em relação às empresas de energia e as telefônicas privatizadas, que estão importando maciçamente. Tanto, que a indústria nacional de máquinas e equipamentos, já destroçada por importações desde a posse de Fernando Henrique, sofreu nova queda de nada menos de 25% em sua produção, nos oito primeiros meses deste ano. A derrocada atingiu também as indústrias fornecedoras daqueles dois setores, com nova queda de 15% em julho último.
Em resumo, por causa do escancaramento às importações combinado com o próprio governo, mesmo os investimentos em petróleo não terão papel decisivo na redução da recessão e criação de empregos. Ao contrário: suas importações vão agravar ainda mais a falta de dólares e a fraqueza do Real. PS: aliás, é tolice fazer previsões para o ano 2000. Com o "rombo" do Tesouro, provocado pelos juros de R$ 10 bilhões por mês, a economia e o Real deverão enfrentar violentas turbulências mais cedo do que se imagina.