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  A sua casa, sem luz...

Jornal Diário Popular , quinta-feira 15 de junho de 2000


Nada menos da metade (ou exatos 49% das famílias de São Paulo não estão conseguindo pagar suas contas de energia elétrica, segundo estudos do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Motivo: com a privatização, os novos ‘‘donos’’ das empresas de energia extinguiram as tarifas mais baratas, que eram cobradas das famílias que apresentavam um consumo mais baixo.

Além disso, conforme reportagens cada vez mais freqüentes na imprensa, não são raras famílias modestíssimas recebendo contas erradas, de mais de R$ 100 por mês e, não conseguindo que elas sejam revistas, acabam enfrentando o corte de energia, por não disporem de dinheiro para quitá-las. Qualquer chefe de família ou dona da casa sabe perfeitamente a tragédia que o corte de energia representa, com a casa às escuras, a geladeira sem funcionar, os alimentos apodrecendo... Há outras tragédias provocadas pelas privatizações das empresas de energia. Você deve ter visto que, de um tempo para cá, a Prefeitura ficou com a obrigação de ‘‘puxar’’ a rede elétrica para as ruas da periferia, bem como passou a ser responsável por todos os consertos, trocas de lâmpadas queimadas etc da rede elétrica das ruas da capital. Por quê? Porque a Eletropaulo, ‘‘doada’’ a um grupo norte-americano pelos governos FHC e Covas, vinha executando esses serviços precariamente e não tomava conhecimento de pedidos de colocação da rede em bairros distantes. Por quê? Porque o consumo das famílias desses bairros é baixo, não traz os lucros gigantescos desejados pelos novos ‘‘donos’’ das ex-estatais.

Na Capital, a Prefeitura está executando obras e assumindo funções que caberiam às empresas de energia privatizadas. No Interior, elas também deixaram de ‘‘puxar’’ redes de energia elétrica para a zona rural, onde essa energia é vital não apenas para a casa das famílias que trabalham na roça, mas principalmente para movimentar bombas utilizadas para irrigar as plantações, ou para o funcionamento de refrigeradores destinados à conservação do leite.

Quem puxa as redes, e paga as obras, é o governo do Estado. Em resumo: está acontecendo no Brasil exatamente o que muita gente do povo temia: que a privatização de serviços públicos colocasse os consumidores nas mãos de grupos que somente pensam em seus lucros e — com a cumplicidade do governo FHC e governadores submissos, como Covas — a população viesse a enfrentar toda sorte de problemas. Neste momento, cresce no País, inclusive entre os partidos que apóiam FHC, um movimento para revisão dos erros da privatização, chegando-se a defender que algumas empresas do setor voltem para as mãos do governo. Mais uma vez, o governador paulista, Mário Covas, defende os interesses dos grandes grupos, e diz que em São Paulo nada vai mudar, e que ele vai privatizar o que resta da Cesp, a empresa gigantesca que ele esquartejou para entregá-la, aos pedaços, inclusive a multinacionais. Pergunta: os paulistas não vão reagir, agora que conhecem os prejuízos da privatização?



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