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  O governo engana o povo

Jornal Diário Popular , sexta-feira 3 de setembro de 1999


A revelação é do próprio secretário da Receita Federal, Everardo Maciel: os trabalhadores brasileiros pagam, proporcionalmente, 12 vezes mais impostos do que seus colegas argentinos. E os grandes grupos empresariais e os bancos brasileiros? Das 66 maiores instituições financeiras do País, praticamente a metade (ou 42%) não pagou nenhum tostão de Imposto de Renda em 1997, façanha que se repete menos imposto também entre as do que os 500 maiores empresas do Brasil. Existe um outro "imposto", chamado Contribuição Social sobre o Lucro, cobrado pelo governo. E aqui, como vai a arrecadação? Diferente do Imposto de Renda? Não. O mesmo secretário revela que aqueles 66 maiores bancos, com uma renda bruta de uns 100 bilhões (com a letra "b") de reais em 1997, pagaram uns tostões, ou ridículos 350 milhões (com a letra "m") de reais de CSSL, a tal contribuição. Ou meros 0,25% sobre sua renda bruta. Pra avaliar melhor como essa cobrança é ridiculamente baixa: se você somasse a renda bruta de centenas de milhares de micro e pequenas empresas, que pagam impostos por um sistema especial chamado Simples, elas, sobre aquele mesmo valor (100 bilhões de reais) arrecadariam 4,4 bilhões de reais, ou coisa de 4,5%, segundo cálculos do jornalista Washington Novaes. Isto é, proporcionalmente, os grandes bancos pagam 20 vezes menos imposto do que os micro e pequenos empresários... Moral da história? É muito simples: o governo anunciou que, para combater o "rombo" do Tesouro no próximo ano, não vai reduzir o Imposto de Renda nem a tal contribuição cobrada dos bancos e empresas, e que foram aumentados este ano para fazer o tal "ajuste" combinado com o FMI. Com toda essa "coragem", o governo ganhou manchetes que procuram fazer o povo acreditar que, "pelo menos, o governo resolveu cobrar impostos também dos poderosos. Os dados divulgados pelo secretário da Receita mostram que é tudo enganação. O governo aumenta impostos para os trabalhadores, classe média e povão, e eles ou são cobrados na fonte, ou na hora da compra de qualquer bem ou serviço. Mas, quando o governo aumenta os impostos para grandes empresas e grandes bancos, é só parar inglês ver, ou enganar a opinião pública: fica tudo no papel, não há pagamento algum. Atenção se você pensa que grandes bancos e empresas fogem do pagamento usando manobras de sonegação, está redondamente errado. Como o mesmo Everardo Maciel explicou ao Senado, o imposto desses grupos "desaparece" graças a "brechas legais” criadas pela equipe FHC. Leia-se: vantagens que zeram os impostos. Criadas por um governo que está dando o "calote", como se viu anteontem nesta coluna, até nos flagelados que trabalharam nas "frentes de trabalho" do Nordeste e ficaram sem receber desde novembro.



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