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Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 30 de dezembro de 1983


À ESPERA – No início de novembro, quando ficou clara a tendência de queda para a inflação (ante o recuo dos preços de alimentos básicos), anunciou-se que o governo tencionava lançar, no futuro, uma campanha publicitária destinada a criar um clima "psicológico" antiinflacionário no País (medida sugerida em editoriais pelo Diário da Manhã). O momento para deflagrar essa ofensiva já chegou, com o novo declínio na taxa inflacionária, em dezembro.

O ENGANO – O principal objetivo da campanha seria desfazer a confusão entre a "inflação velha" do passado, e a inflação nova, de hoje. Melhor explicando (e repetindo análises já publicadas por este jornal): embora os resultados mensais de novembro e dezembro estejam bem abaixo do estouro inflacionário de julho, agosto, setembro e outubro, a taxa anual de inflação, que é a soma da inflação de 12 meses, continua a subir. Por quê? Exatamente porque os índices atuais são mais baixos do que os registrados nos meses anteriores – mas, atenção, são mais altos do que os ocorridos em iguais meses de 1982, e que eles substituem na soma dos 12 meses. Com isso, persiste na opinião pública a impressão de que a inflação está em alta, ou na casa dos 210 a 220% ao ano. Na verdade, ela está em baixa, mês a mês, e correndo na faixa de 150 a 160% ao ano.

GARANTINDO A QUEDA – Ainda em janeiro e fevereiro, mesmo com a inflação mensal em queda, os preços de alguns setores, que são reajustados a cada 6 meses, continuarão a apresentar grandes aumentos, porque os índices adotados correspondem exatamente à soma da inflação nos meses mais loucos em termos de garantia: é o caso dos aluguéis, salários etc. Em outras áreas, porém, a queda já ocorrida na inflação tem efeitos imediatos, ajudando a puxar os próprios índices inflacionários para baixo. Por exemplo: a maioria dos setores industriais reajusta seus preços todos os meses dentro do limite de 80% de correção monetária. Como ela foi de 8,4% em novembro, os preços da indústria puderam ser reajustados em apenas 6,72% em dezembro. Agora com a correção monetária de 7,6% em dezembro, os reajustes serão de apenas 6,08% em janeiro, e assim sucessivamente.



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