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  A caminho do caos

Jornal Diário Popular , quinta-feira 16 de setembro de 1999


Tome nota: são 1.000 prefeitos. E 1.000 prefeitos, pertencentes exatamente aos partidos ligados ao governo federal, que dominam a região. Foram eles que programaram para ontem o fechamento de 1.000 prefeituras em todo o Nordeste, em protesto contra o calote que o governo FHC vem aplicando em milhões de famílias nordestinas, condenadas a sofrer e a morrer de fome.

É bom que você anote quem são os responsáveis pelo protesto, porque é muito provável que a grande imprensa, com o noticiário da TV à frente, acabe mentirosamente dizendo que as manifestações são coisa dos sem-terras, ou das oposições. Quando até 1.000 prefeitos governistas resolvem dizer um "basta", é fácil avaliar a situação dramática provocada pela política do governo FHC. E é difícil fugir à previsão de que o País corre o risco de mergulhar em uma situação caótica, insustentável. Desemprego acima dos 20% nas grandes capitais e fome endêmica não só no Nordeste mas em imensas regiões do Interior são pólvora pura. Ambos os problemas deveriam estar sendo controlados, com suas conseqüências amortecidas, se fossem verdadeiras as afirmações do presidente da República, de que as verbas do orçamento destinadas a enfrentar os problemas sociais não seriam reduzidas.

Mas, enquanto o sorridente presidente da República diz uma coisa, na prática ele faz outra. Primeiro, essas verbas foram dramaticamente reduzidas no orçamento, sim. E, como se não bastasse, na hora de liberar o pouco dinheiro que sobrou no orçamento, o governo FHC simplesmente ignora o que foi incluído no orçamento. Assim, a distribuição de cestas básicas às populações pobres do Nordeste e outras regiões está suspensa desde julho, em vários pontos do País.

São quase 9 milhões de famílias que deixaram de receber alimentos. Quanto isso custaria? Bilhões de reais? Não. Estavam previstos menos de 9 milhões de reais por mês. Isto é: menos de 1,00 real por família, por mês. Não esfregue os olhos, é exatamente isso, a "verba" prevista é de 1,00 real por família, por mês — e nem ela foi liberada...

Os outros programas sociais, capazes de combater os efeitos da miséria, também tiveram suas verbas brutalmente retidas: Pronaf, para apoio a micro produtores agrícolas, retenção de 95%. Proger, geração de renda e emprego, nem um tostão liberado; saneamento, 99% retidos; combate à mortalidade infantil, 63% retidos. Algo mais? Sim: reforma agrária, 75% retidos.

O Brasil está vivendo uma farsa que pode terminar de forma trágica. Como esta coluna tem repetido, o corte de despesas combinado pelo presidente FHC com o FMI é absolutamente impossível, isto é, ele significa, como agora está sendo visto com clareza, um massacre de milhões de pobres do País. Por mais que a grande imprensa esconda, eles não vão continuar morrendo em silêncio. Ou o presidente FHC rejeita o acordo com o FMI e reduz os juros que estão devorando o dinheiro do Tesouro ou o País enfrentará o pior.



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