Jornal Diário da Manhã , quinta-feira 8 de dezembro de 1983
SEM MAXI – os poderosos grupos empresariais que desejam nova maxi-desvalorização do cruzeiro, para realizar lucros fabulosos com ela, vêm conseguindo “plantar” na imprensa insinuações de que também as cotações do cruzeiro vêm sendo manipuladas, daí a necessidade da “maxi”, no começo do próximo ano. Como assim? Insinua-se que o governo “falsificou” o índice de inflação de 8,4% em novembro e, como a queda do cruzeiro acompanha o ritmo inflacionário, a desvalorização ocorrida seria insuficiente. Para destruir o argumento desses grandes especuladores, de uma vez por todas: o índice de custo de vida (que entra no cálculo do índice da inflação), no Rio, apurado pela Fundação Getúlio Vargas, foi de 6,7% em novembro. Em Porto Alegre, foi de 4,67%. E, em São Paulo, sabe-se agora, foi de apenas 4,4%. Isto é, se a FGV manipulou a inflação, foi para cima.
PARA ONDE VAI O DINHEIRO – já se disse, e é preciso repetir: é na Cacex, hoje, que se criam as condições para o futuro estouro de “escândalos” que não são escândalos, e sim fraudes consentidas. A Cacex não tem apurado os desvios no crédito subsidiado, concedido a exportadores que não exportaram. E, agora, está arrombando as portas para novas fraudes: anunciou total liberação, falta de controle, para as importações pelo regime de draw back (as empresas compram matérias-primas, componentes etc, no exterior, sem pagar impostos, para utilizá-los na produção de bens e a serem exportados). Já se sabe o que vai acontecer: as empresas importarão livremente, mesmo artigos já produzidos aqui no Brasil. Isso já aconteceu milhares de vezes. Por que a Cacex insiste no facilitário? É pra facilitar mesmo?
PARA ESTOCAR – vem aí novo aumento do preço do leite. Hora de estocar leite em pó, manteiga, queijos, para quem os consome habitualmente.
OS DÓLARES – com o saldo (exportações menos importações) de US$ 570 milhões em novembro, a balança comercial brasileira acumulou um saldo de US$ 6,05 bilhões nos onze primeiros meses do ano, devendo chegar aos US$ 6,5 bilhões até o final de dezembro, ou US$ 500 milhões acima da meta inicialmente combinada com o FMI. Esses dólares não representarão um “sobra”, porém, porque os banqueiros, aproveitando-se dos problemas que o país enfrentou este ano, passaram a cobrar juros “extras”. De qualquer forma, pior seria se não tivesse havido, também, dólares “extras”.